Eu me vejo mais para dentro do que para fora
- Leandro Vilaça
- 20 de mar.
- 1 min de leitura

Um adeus súbito àquele impulso antigo de blindar o outro, segurar o mundo no peito, traduzir dores que nem eram minhas. Hoje, o meu corpo decide antes da minha cabeça: ele automatiza a blindagem, fecha portas, cria filtros… e eu só acompanho o movimento.
É como se o social — esse lugar onde todos conversam, trocam, vibram — tivesse perdido o brilho por um instante. Não porque eu não gosto das pessoas, mas porque eu preciso, urgentemente, me gostar inteiro. E nessa dança, eu me vejo mais para dentro do que para fora.
Hoje eu tô um pouco triste, sim… mas estranhamente bem comigo.
Feliz por me perceber, por notar minhas próprias fronteiras, por entender a hora de recolher sem culpa. É um tipo de tristeza que não afoga; ela educa, reorganiza, abre espaço.
Não é isolamento. É recalibração.
É o coração dizendo: “ei, chega de salvar o mundo quando você ainda tá reaprendendo a se salvar”.
É a alma respirando fundo e lembrando que nem toda presença precisa ser compartilhada.
E eu sigo… eufórico na minha própria companhia.
Feliz por esse reconhecer que pulsa, que volta, que me devolve pra mim.
Pai Léo de Oxalá




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